CAPÍTULO XXXVII

Obrigado, Senhor Chesterton

            O Sr. Gilbert Chesterton, crítico e escritor inglês, satirizou a nossa época como "esta era rotária", contrastando com a "era vitoriana" que ele, manifestamente, prefere. Após o prazer de ler uma frase inteligente, pedimos licença para contestá-lo lembrando:  “milhares de pessoas acreditam que o Rotary está influenciando na história do mundo".
            O Rotary não é uma instituição secreta, não tem ritos e nem cerimônias específicas. O conceito do Rotary entre os que não pertencem aos seus quadros é, efetivamente, vago. De modo geral, porém, todos pensam e falam bem do Rotary. Muitos não sãos pessoalmente sócios de R.Cs. mas seus parentes ou amigos o são, e falam-lhes da instituição, dos seus propósitos e das suas iniciativas.
            Rotary é, sem dúvida, conhecido principalmente pelas suas realizações que são muitas. Grêmios de jovens, bandas e acampamentos sem conta, têm sido organizados e realizados por Rotary Clubs ou por rotarianos. Rotarianos são a mola mestra de praticamente todas as realizações valorosas. Em muitas cidades há rotarianos nos quadros do setor escolar. Sob a liderança do rotariano Edgard Allen de Elyria, Ohio, organizaram-se, em dois Estados dos USA, associações protetoras de crianças excepcionais e editaram-s leis protetoras e educativas para elas.
            Esse trabalho foi levado a duas Convenções, para além-mar, nas quais grande número de rotarianos promoveu a assistência à criança excepcional. Milhares de crianças foram favorecidas por esse trabalho benemérito.
            Nas reuniões semanais dos R.C., os rotarianos contatam com educadores, executivos do escotismo, do Exército da Salvação e com dirigentes de associações assistenciais e com eles colaboram, afinados, em plena harmonia. Rotary é, de fato uma escola em que os cidadãos aprendem a servir e a conhecer, verdadeiramente, o interesse social.
            Praticamente todas as Universidades, colégios e escolas secundárias estão representadas em Rotary por alguns de seus professores ou dirigentes. Através do contato entre os companheiros, homens de negócios e profissionais, a atuação dessas escolas, em nível alto, é divulgada. As ramificações de Rotary vão além do que se possa imaginar.
                Cada fase evolutiva da vida moderna sofre influência do Rotary e a visão dos seus membros se alarga. Ainda mais que, sobre isso tudo, está a calorosa e doce sensação de companheirismo e amizade, que valoriza a vida. Estas são algumas das muitas razões pelas quais os rotarianos se orgulham da sua filiação.
            E não são somente os trabalhos meritórios, que enriquecem o Rotary. Os bons trabalhos são a expressão do que há a sustenta-los. As forças mais poderosas do mundo são invisíveis. A eletricidade nunca foi vista por nenhum mortal e, no entanto, é a energia que ilumina as cidades e move as fábricas. A gravidade, que ninguém ainda viu, faz despencar as águas do Niágara e dá existência àquela maravilha da natureza. Mesmo o ar que respiramos é invisível, no entanto, nos faculta a vida. O poder de Rotary é invisível mas pode operar milagres.
            Os portões dos Impérios têm sido abertos pelo poder das idéias. Por trás de Rotary há o poder da boa vontade que ele próprio fomenta e faz crescer. A amizade é força evangelizadora. Milhares de homens têm renascido no espírito do Rotary, no calor da amizade sincera e da vizinhança solidária, que eu conheci quando jovem, em Nova Inglaterra.
            No plano de Rotary, os negócios são um capitulo importante da vida mas não são tudo. Quem faz dos negócios a finalidade da vida, merece piedade, não importa quão bem sucedido seja. O objetivo de Rotary é racional, realista. Sua filosofia tem visão integral da vida. Objetiva o seu real enriquecimento.
            Não é religião, nem pretende tomar o lugar de uma religião. É desempenho inteligente, e parte do sentimento religioso, nos trâmites modernos da vida e, especialmente, no intercâmbio dos negócios e nas relações internacionais. Na minha vivência profissional, o conceito de "negócio" sofreu profundas mudanças sob a influência do que Rotary me sugere.
            A condição profissional, como exigência para pertencer aos quadros de um R.C. dá, ao movimento, oportunidade de projetar no sócio os seus ideais éticos na prática da profissão. Estendi-os a todas as profissões ou ocupações exercidas na vida em comunidade. Cada rotariano é um elo ético de vida na corrente idealística de Rotary. Ele assume a responsabilidade de cooperar na difusão e no desenvolvimento de altos níveis éticos, no desempenho da profissão que exerce. E, orientadas por essa visão, há centenas de associações de negócios e profissões,  organizadas por rotarianos.
            Nos seus esforços para promover a compreensão entre as  nações, o Rotary continua com a mesma orientação dos seus primeiros tempos : o interesse mútuo baseado num relacionamento entre amigos. Dentro dessa conduta as nações poderão entender-se. Costumes diferentes, antes incompreendidos, tornam-se aceitos e até adotáveis, para o enriquecimento da vida.
            A amizade purifica a atmosfera de Rotary, que abomina as formalidades e o artificialismo, e põe os homens, a despeito de desníveis sociais ou de fortuna, num plano comum. É costume, embora não compulsoriamente, aos R.C. do mundo todo, tratarem-se os companheiros pelo primeiro nome. Isso, para alguns é natural; para outros o hábito se consolida em pouco tempo.
            Conta-se que quando um proeminente australiano, rotariano, foi condecorado com a mais alta honraria do país, o Comando da Ordem de São George e de São Miguel, tornando-se "Sir" George Towles K.C.M.G., foi-lhe perguntado, no clube, como, então, deviam os companheiros trata-lo, ele respondeu:  "Continuem chamando-me George".
            Quando um indivíduo, uma seita, um grupo ou uma nação menospreza outro indivíduo, outra seita, outro grupo, ou outra nação, é certo que não se conhecem. É a ignorância que reina nas suas atitudes. E a ignorância é uma ameaça à paz. Nos níveis mais altos de mútua compreensão, as coisas são vistas com maior tolerância e aceitação e, por isso, desaparece a tendência de crítica, de interferência e de desaprovação. Os indivíduos e as nações têm obrigação, pessoal e coletiva, de conhecerem-se mutuamente.
            O programa do Rotary, de promovera melhor compreensão entre os diferentes grupos raciais e entre os crentes das diversas religiões, simples e auspiciosamente deflagrado em 1905, vem conseguindo maior sucesso do que o alcançado entre as negociações diplomáticas. Isso se deve à estratégia adotada de eleger os pontos de vista comuns, para considerações primeiras, antes do enfoque das discordantes. Rotary vem demonstrando satisfatoriamente que a amizade pode harmonizar as discordâncias nacionalistas e religiosas.
            O individualismo leva ao complexo de superioridade, responsável pela maioria das intolerâncias. A superioridade permanente nunca pode ser mantida por qualquer nação, até os nossos dias. Sempre, após a ascensão virá a decadência. A nação que, durante certo tempo detém hegemonia sobre as demais, será eclipsada por outra num outro período. Após a maturidade sobrevém  a velhice; a fruta amadure e depois apodrece. É a lei inexorável da Natureza.
            Os que obrigam a águia guinchar, o leão rugir, o urso rosnai não estão prestando nenhum serviço à pátria. Em verdade nem estará tentando fazê-lo. Estarão querendo tirar proveito pessoal a custa do desserviço ao seu país. No entretanto, há, ainda, coisa pior. É o cidadão que, em viagem, procura por-se acima do país ao qual ele deve fidelidade e aponta fraquezas em quem lhe rende homenagem, respeito e admiração.
            Quem escreve estas páginas é um americano que não se sente faltoso nesse ponto. Ele reconhece o direito e o dever de todo o cidadão de amar e cultuar a sua Pátria. Na estima dele ninguém te eleva por deslealdade à Pátria.
            Quem ama o seu país não deve, por essa razão, criar inimigos nem expor seus conterrâneos ao ridículo, proclamando que a sua é a Pátria de Deus. Isso pode passar desapercebido mas, na verdade, é uma espécie de insulto aos cidadãos de outros países e o insulto não é meio de atrair amizade. O meio mais efetivo de granjear estima é comportar-se simplesmente e com decência. Se isso não der resultado, nada dará.
            Pode um clube de 50 ou 100 sócios influir numa cidade? Está mais do que provado que os R.C. imprimem características antes inexistentes às cidades em que atuarem. Claro que essa influência é muito mais notável nas pequenas comunidades. Muitas cidades dominadas pela pasmaceira e pelo desânimo readquiriram vitalidade e entusiasmo após a fundação de um R.C. A vida, efetivamente, pode tornar-se mesquinha nas comunidades pequenas desprovidas de espírito público, onde o mexerico corre solto e a maledicência passa a ser o interesse comum. Recuperado o espírito público ao nível normal, a vida toma outro vigor e essas pequenas cidades vêm melhorar o seu ambiente em todos os setores.
            Os rotarianos das pequenas cidades declaram, com freqüência, cheios de orgulho, que o advento do Rotary promoveu profundas mudanças no seu ambiente, liquidando questiúnculas de ciumeira e rivalidade gratuitas e recuperando o civismo e a voluntária cooperação nos serviços à comunidade.
            O Sr. Charles Barker, médico do ex-presidente dos USA, William Howard Taft, responde pela proclamação pública de que várias cidades pequenas sofreram profundas modificações sob a influência do Rotary e de outras organizações, que adotaram os seus propósitos. Esse testemunho é valioso e significativo porque partiu de um homem inteligente que viajou muito pelas pequenas cidades e era observador arguto e espírito disciplinadamente honesto. A cooperação é a chave mestra para a felicidade comunitária.
            A influência do Rotary tem-se feito, freqüentemente, sentir nas relações intercidades, em reuniões com seus representantes de maior prestígio, conseguindo anular rivalidades renitentes e estabelecer o espírito de cooperação. As reuniões entre representantes de cidades, tanto grandes como pequenas, são, durante muitos anos, um uso muito freqüente do Rotary.
            As reuniões entre cidades são assistidas por representantes do 25 a 30 comunas vizinhas; as Conferências distritais chegam a reunir cidadãos de 100 cidades e as Convenções Internacionais reúnem representantes de mais de 50 países. Os rotarianos em viagem, no seu próprio ou em países diferentes, assistem, sempre que podem, às reuniões do R.C. das cidades por onde passam. Usam, para programar tais visitas, o catálogo, que nos meios rotários é chamado "Official Directory". As reuniões do R.C. das grandes cidades têm, sempre, a presença de muitos rotarianos visitantes
que, ali, são recebidos com  toda consideração.
            Rotary tem se dedicado a conciliar interesses em oposição é tem obtido resultados magníficos, pelo expediente de aproximar as partes beligerantes em reuniões calorosas, de boa vontade e companheirismo. Onde arde o fogo da animosidade, lá é ambiente para a ação do Rotary. Os agricultores de uma certa comunidade, passam a desconfiar dos negociantes? Estes passam a receber aqueles como seus hóspedes em reuniões alegres e descontraídas, focaliza-se o foco de discórdia numa conversa franca e leal em que as explicações são detalhadas. Dificilmente falha a compreensão e a inteligência entre eles.
            Mesmo nas grandes cidades, o Rotary exerce influência. Alguém, que conheça como se vive nas grandes, cidades, sentirá influência do Rotary fazer-se presente nas igrejas, nos clubes sociais, nos clubes esportivos, nas associações classistas, nas escolas e onde quer que hajam homens reunidos.
            As atividades do Rotary cobrem uma larga faixa de serviços públicos ou privados. Os sócios de um R.C. podem exercer suas atividades de acordo com seus gostos e aptidões. Há, relativamente, poucos rotarianos conscientes de que poderiam representar, numa comunidade, muitas atividades reconhecidas. O rotariano é um cidadão útil, em qualquer comunidade, pela sua capacidade limitada, é óbvio, de servi-la. Ele é sempre pinçado entre os lideres da própria profissão. Age sempre enquadrado dentro do que o Rotary designou seus 4 objetivos:
            1) Serviços internos -os assuntos pertinentes à condução. das atividades administrativas do R.C.
            2) Serviços Profissionais - os assuntos que reflitam o exercício ético das profissões, dos negócios e do seu comportamento na vida em sociedade.
            3) Serviços à Comunidade - os assuntos referentes ao bem estar e ao progresso da comunidade.
            4) Serviços Internacionais - assuntos que promovam o equilíbrio e harmonia entre as nações, ou seja, a compreensão entre os homens de todo mundo.
            Muitos rotarianos, mormente os brasileiros, concebem que só há um objetivo, que é a promoção do conceito de serviço como a obrigação maior do homem em sociedade. O que acima nós chamamos de objetivos, eles consideram os meios para a consecução de um único objetivo. Chesley Perry concebe o serviço rotário como avenidas e, portanto, quatro avenidas para representar as quatro divisões da atividade do Rotary.
            Esperar que todos os rotarianos alimentassem o mesmo conceito da Organização seria querer o impossível. Há, presumivelmente, unidade de confiança no que o Rotary pode contribuir para o bem da Humanidade, entre os 250 mil rotarianos existentes. É muito mais notável a diversidade conceitual do que a física, entre todos os homens. As variações do pensamento são muito mais amplas que as diferenças da cor da pele e, também, mais difíceis de serem alteradas. Os conceitos pessoais dependem de muitos fatores - temperamento, hereditariedade, meio ambiente, experiências de vida - e os lideres devem moldar suas condutas com paciência e tolerância. O Rotary dogmático não poderia explicar o seu próprio conceito de serviço. A aceitação do apreço pelos pequenos benefícios, oriundos da ação de Rotary é algo de plenamente confortante e satisfatório para todos os que comungam do movimento rotário. Nenhum rotariano negará que a freqüência às reuniões regulares do Rotary Club são um fator de enriquecimento da visão dos conceitos morais, sociais e culturais.
            O avanço do Rotary ao atual estágio, é o resultado da evolução dá sua organização. Setenta  nações conhecem, em variada extensão, os seus benefícios. O seu esplêndido progresso é o resultante do esforço de homens de algumas nações: as onde o Rotary se implantou há mais tempo. Em outros países, onde não há RCs, os benefícios têm chegado de fora. Será um acontecimento extraordinário para o mundo, quando todas as nações possuírem a densidade rotária que, hoje, se conhece nos EUA, no Canadá e na Inglaterra.
            O desenvolvimento do Rotary e das demais organizações que dele se originaram é considerado, pelos estudiosos dos movimentos sociais, como o mais precioso no período das suas existências: o período chistosamente chamado, por Mr. Chesterton, de "esta era rotária".
            Com o correr do tempo voltei pela 2.a vez a Wallingford, como hóspede dos rotarianos dos Estados de New Hampshire e Vermont. Foi tão numerosa a ocorrência, que, nas primeiras horas ficou patente a inexistência de lugar público capaz de abrigar a reunião em Wallingford. A American Fork and Hoe Company propôs-se oferecer o local.
            No dia da reunião os empregados, em grupos, removeram uma parede de sola da fábrica; mudaram as máquinas para outro local, alinharam em ordem mais de 400 cadeiras e, à noite, estava realizado o milagre: Wallingford tinha local para abrigar a maior assembléia que se pudesse haver projetado.
            Das colinas e das montanhas dos Estados vizinhos os rotarianos vieram tomar parte na recepção que o R.C. de Wallingford dava naquela noite, quando recebi, a honra da sua integração a  R.I.
            Após os discursos de recepção e companheirismo e a apresentação do Diploma de Admissão do novo clube, encerrou-se a reunião. Seguiram, de regresso os rotarianos, através das colinas e montanhas e a grande sala da festa foi transformada numa fábrica de instrumentos agrícolas. Retiniu o sino, na hora de costume, e os trabalhadores assumiram suas tarefas.
            Tais acontecimentos eram inéditos no vosso vale. Da minha parte, sonhador, admitamos que eu fosse, eu jamais sonhara com uma reunião tão numerosa de homens, do vale e suas redondezas, unidos por um ideal comum.
            Os habitantes da Nova Inglaterra não são dados a mudar seus hábitos mas, convencidos a isso, raramente recuam.
            Tanto quanto os automóveis, que anularam o empecilho das montanhas em Nova Inglaterra, os grandes navios se fizeram pontes para que a boa vontade e a compreensão do Rotary cruzassem os mares. Quando R.I. realizou as Convenções de Edimburgo, Ostend, Virna e Nice, foi necessária uma frota de transatlânticos para transportar os rotarianos americanos e suas famílias aos portos de desembarque. É temeroso predizer, com certeza, que papel está reservado ao avião no objetivo de Rotary mas é certo que facilitará e acelerará o desenvolvimento da compreensão e da boa vontade entre os povos.
            Quando for realizada a Convenção, daqui a 10 anos, os céus estarão cheios de aviões vindos de todos os países onde houver Rotary. Só o bem pode esperar-se dessas reuniões de homens unidos no ideal comum de serviço. Rotary é uma força integrada dentro de um mundo em que prevalecem fatores de desintegração; é um microcosmo de um mundo para a paz, um paradigma a ser seguido por todos os povos.
            Na esteira estendida por Rotary, outros clubes de serviço surgiram, reunindo, nos seus quadros centenas de milhares de homens dotados de propósitos altruístas. Há também organizações similares, de negócios e profissionais, compostas só por mulheres.
            Ainda há espaço para extensão do Rotary e de organizações similares de âmbito internacional. Não importa sob que bandeira se propague a boa vontade e a compreensão entre os povos.
            A influência de Rotary na opinião pública, em 60 países, onde estão seus cinco mil clubes, tem sido muito maior do que, em geral, se reconhece. Em relação à população do mundo o número de rotarianos existente é pequeno mas as qualidades de caráter que têm e as posições que ocupam explicam, à satisfação, o que acabo de afirmar acima.
            Vejamos: na maioria dos países há rotarianos no setor da justiça. No Congresso dos EUA estão inúmeros rotarianos, quer na Câmara baixa quer no Senado. Dois membros do gabinete do Presidente Truman são rotarianos; um deles é ex-presidente de R.I. Os jornais dos USA e de outros países estão amplamente representados em Rotary. Muitos deles pelos seus próprios proprietários. Há dezenas de milhares de educadores nos quadros de Rotary o que nos garante que milhões de jovens da atualidade e das próximas gerações serão beneficamente influenciados pelos nossos princípios.
            Os rotarianos vêm demonstrando permanente e entusiástica lealdade a seus clubes. Muitos se mantêm de freqüência, ininterrupta por 30 anos ou mais. Clubes inteiros têm a freqüência perfeita por mais de cem reuniões consecutivas. Para muitos de nós a qualidade de rotariano significa a coisa mais cara da vida.
            Por quê este apego ao Rotary? É o amor do homem por seu semelhante. Despido de formalidades, de convenções e prevenções, a solidariedade explode espontânea. Rotary supera a linha das intolerâncias políticas e religiosas. Maometanos, budistas, cristãos e judeus comungam na mesma mesa, em perfeito companheirismo. Rotary é tão popular nas inúmeras castas da Índia, como em quaisquer outros países. Não há no seu seio o proselitismo. Os seus sócios são respeitados pelas suas opiniões, quanto aos assuntos de natureza controversa. A sua plataforma tem espaço suficiente para ter os homens unidos apenas pelas suas tendências amigáveis e de tolerância para com os pontos de vista dos seus semelhantes. Pelas suas qualidades altruístas.
            Amizade é a pedra fundamental sobre a qual Rotary está edificado e tolerância é o cimento que une os seus homens. Há, em cada R.C., energia suficiente para explodi-lo em milhares de pedaços se não fosse o poder de contenção do espírito de tolerância. Esse espírito extraordinário, característico da vida de meu avô, que iluminou e mantém a minha fé.
            Efetivamente, vivemos a era do Rotary. Pela primeira vez na existência do nosso movimento, sentimos que os países mais poderosos da terra estão interessados na promoção da compreensão internacional e na boa vontade entre os povos. E isto a própria essência do Rotary. Queira Deus que as grandes potências sejam mutuamente compreensivas e não se esqueçam que temos vivido, até aqui, num mundo predatório. Agora, que começamos a emergir da época de selvageria, não podemos, em sã consciência, "dar de dedo" uns nos outros.
            O espírito de tolerância, que permitiu a existência do Rotary deverá predominar, amigavelmente, em escala mundial, através da compreensão e da inteligência entre todos os profissionais e homens de negócios.
            Minha esposa Jean e eu, que temos tido singular oportunidade de conquistar a amizade de milhares de pessoas em muitos países, temos razões suficientes para acreditar que "paz na terra pela boa vontade de todos os homens" não é um sonho vão, mas, sim, uma meta que será atingida. É um privilégio viver no ano cristão de 1945 e ser testemunha de um grande amanhecer para o mundo! Por isso, encareço os meus agradecimentos ao Senhor Gilbert Chesterton pela autoria da frase: "esta era rotária!".