MENSAGEM DO PRESIDENTE JONATHAN B. MAJIYAGBE
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Pelo mundo afora milhões de pessoas vagam nas trevas da pobreza,
mazela que impinge sofrimentos atrozes e relega a agruras sem fim os infelizes
que nas malhas dela se encontram.
Nos países mais carentes do orbe terrestre, homens e mulheres se
cobrem com andrajos e crianças famélicas caminham nuas a
ostentar seus corpos flagelados. Mais uma geração está
sendo privada de educação e saúde, o que deixa o campo
fértil para que se abram as chagas da ignorância e apareçam
as doenças do corpo e da alma. Mais uma geração perdida,
sem esperanças de um futuro decente.
Este cenário macabro, conhecido por muitos rotarianos, faz parte
da paisagem do mundo em desenvolvimento.
Por vários anos, Rotary Clubs e distritos rotários
têm se empenhado para levar comida a quem tem fome, agasalho a quem
tem frio, água a quem tem sede e saúde a quem está
doente.
São muitas as faces da pobreza e do sofrimento humano. Na África
ela se despe por inteiro, revelando todo seu tenebroso espectro. Em países
ricos ela é mais sutil e passa até despercebida, o que faz
alguns pensarem que não está presente nas nações
civilizadas.
Na maioria dos conglomerados humanos, há gente atravessando sérias
privações. Rotarianos, peço que vigiem e estejam alertas
e a postos para ajudar pragmática e carinhosamente esses seres aos
quais lhes foi negado o básico para viver com um mínimo de
dignidade.
A maioria dos rotarianos goza do privilégio de viver segura e confortavelmente,
entretanto, por habitarmos a mesma aldeia global, não estamos a
salvo dos efeitos destruidores de conflitos que se desdobram nos vários
cantos de nosso planeta. Os horrores de guerras, fome e catástrofes
naturais podem ser sentidos em qualquer lugar da Terra, tornando ainda
mais difícil o estabelecimento da paz. Cabe a nós anular
a desesperança nascida da miséria, combustível que
alimenta os conflitos mundiais, para que a luz brilhe na estrada dos aflitos.
Em 2003-04, encaremos esses desafios e combatamos a pobreza com todas as
forças e recursos a nosso dispor.
Parte desses recursos deve ser canalizada para propiciar instrução
às mulheres. No mundo em desenvolvimento há mais mulheres
analfabetas do que homens, um desequilíbrio predador que ignora
o fato de geralmente serem elas as responsáveis pela educação
dos filhos. Uma vez alfabetizadas podem passar adiante seus conhecimentos
garantindo, assim, que a próxima geração tenha melhores
condições de vida e possa sonhar com um lugar ao sol.
Podemos combater a miséria utilizando microcréditos, forma
pela qual pequenos empréstimos são tomados, principalmente
por mulheres que não conseguem obter linhas de crédito pelas
vias comuns. Mesmo quantias de apenas US$100 podem capacitar esses pequenos
empreendedores a abrir seus modestos negócios, permitindo que escapem
das garras perniciosas da pobreza e zelem por suas famílias. Graças
a iniciativas de empréstimos rotativos, comunidades inteiras saíram
de uma vida de mera subsistência para vislumbrar um amanhã
promissor.
Em 2003-04, o RI lançará a iniciativa clubes irmãos
como parte das celebrações do seu centenário, oportunidade
ideal para que os clubes se unam para tentar abater a pobreza. Através
dos programas de Serviços à Comunidade Mundial e Subsídios
Humanitários da Fundação Rotária cruzamos oceanos
e fronteiras para ofertar ajuda e aliviar o sofrimento dos menos afortunados.
Para obter êxito na cruzada contra a pobreza, o Rotary deve contar
com um quadro social vigoroso.
Em 2003-04 o enfoque deve ser na retenção. O peso de trazer
novos sócios é quase nada comparado ao trabalho necessário
para que permaneçam na organização e se engajem em
intentos expressivos. O ambiente no clube deve ser acolhedor para que o
sócio se sinta em casa e esteja ciente de que pertence à
família rotária e por ela é valorizado.
Não podemos nos furtar à obrigação de compartilhar
Rotary com homens e mulheres qualificados. Tendo isso em mente, incentivo
os clubes a recrutar mais pessoas do sexo feminino. Embora o número
de mulheres em posições de destaque no mundo profissional
e corporativo continue subindo vertiginosamente, elas estão subrepresentadas
no Rotary, uma vez que compõem menos de 10 por cento do quadro social.
Clubes em mais de 20 países ainda não admitem mulheres em
suas fileiras, e isso não pode continuar! Mulheres, que passaram
a se associar ao Rotary a partir de 1989, contribuíram imensamente
para que o tamanho de nosso quadro social não despencasse. Além
disso, aumentaram a qualidade dos serviços prestados por seus clubes
e, por conseguinte, beneficiaram sobremaneira o Rotary International. Em
reconhecimento ao inestimável papel das rotarianas, o conselho diretor
e o conselho de legislação de 2001 incentivam a formação
de clubes mistos. No regimento interno está estipulado que nenhum
clube pode negar associação com base no sexo do candidato.
Partindo dessa premissa, os Rotary Clubs farão bem se procurarem
admitir mulheres.
Ao guiarmo-nos pela vereda da prestação de serviços
em 2003-04, peço a todos os rotarianos que Dêem a Mão
ao Próximo. Este é um lema bastante simples, mas acredito
que captura a essência do propósito rotário. Como rotarianos,
sempre Damos a Mão em nossas comunidades e no mundo. Damos a Mão
aos companheiros, tanto no clube quanto internacionalmente.
Algumas vezes esse simples gesto basta para transformar uma vida. Em outras
instâncias, uma que colaboram para erradicar a pólio, combater
o analfabetismo, fornecer casas populares, neutralizar conflitos e eliminar
o peso do fardo dos desditosos.
Está em nossa natureza rotária oferecer ajuda, onde quer
que seja necessária. Portanto, em 2003-04, não percamos nenhuma
chance de Dar a Mão ao Próximo.
Iniciemos o ano rotário de braços e alma abertos, prontos
para socorrer nossos semelhantes. Movidos pelo mesmo ideal, não
há barreiras que não possam ser transpostas.